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Encontro ELLA Sudeste conecta cultura, protagonismo e futuros em construção no Triângulo Mineiro

Foto do escritor: Vithor Laureano
Vithor Laureano
17 de set.
6 min de leitura

Atualizado: 19 de set.

Programação gratuita segue nesta quinta-feira em Uberlândia e chega a Uberaba na sexta, reunindo debates, clima, música, audiovisual e mulheres de diferentes territórios.


Alguns encontros ganham força justamente porque não tentam apagar as diferenças de quem chega. Pelo contrário. Colocam essas experiências lado a lado e deixam que o território, as histórias e as urgências de cada uma encontrem pontos de contato.


Uma loba guará desenhada com muitas cores e escrito do encontro ella sudeste
O Encontro ELLA Sudeste reúne mulheres de diferentes territórios para trocar experiências, fortalecer redes e pensar novos futuros a partir da cultura | Foto: Divulgação/ELLA Sudeste

É nessa lógica que o Encontro ELLA Sudeste 2026 ocupa o Triângulo Mineiro nesta semana. A programação começou na quarta-feira, 16 de setembro, em Uberlândia, segue nesta quinta-feira no Quintal – Gastronomia & Cultura e termina na sexta-feira, 18, em Uberaba, dentro do Festival Sofá na Rua, no Espaço Laboratório 96.


São três dias de rodas de conversa, apresentações musicais, performance, audiovisual, oficina de grafite, feira de artesanato e trocas que partem de três eixos centrais: Cultura, Protagonismo e Futuros em Construção.


Mais do que reunir atividades diferentes em uma mesma agenda, o ELLA propõe pensar o que acontece quando cultura, comunicação, território e articulação deixam de caminhar separados. Artistas, produtoras, comunicadoras, ativistas e agentes culturais entram na mesma conversa para compartilhar experiências, fortalecer redes e pensar possibilidades coletivas de transformação.


ELLA Sudeste coloca o Triângulo Mineiro dentro de um circuito nacional


A etapa em Minas Gerais não acontece de forma isolada. Depois de passar pelo Nordeste, Norte e Centro-Oeste, o circuito chega ao Sudeste como a quarta parada de uma jornada que percorre diferentes regiões do país ao longo de 2026.


A lógica é importante porque evita tratar o Brasil como um território homogêneo. Cada encontro parte das particularidades locais, das experiências de quem vive e produz ali, mas procura reconhecer também pautas que atravessam mulheres em diferentes contextos.


Foto ampla de pessoas com show ao fundo
Debates, música, audiovisual e intervenções artísticas fazem parte do encontro que conecta Uberlândia e Uberaba | Foto: Divulgação/Floresta Ativista

No Sudeste, essa construção ganha o Triângulo Mineiro como ponto de encontro. Uberlândia e Uberaba deixam de aparecer apenas como cidades que recebem uma programação e passam a funcionar como territórios de escuta, colocando em evidência a produção cultural, os saberes e as experiências de mulheres que atuam na região.


A loba-guará foi escolhida como símbolo desta etapa. A imagem carrega ideias de força, resiliência e caminhada pelos territórios e combina com uma rede que escolheu se construir em movimento, percorrendo lugares antes de tentar reuni-los em uma narrativa única.


Cultura, memória e ocupação abriram a programação em Uberlândia


O primeiro dia do encontro, realizado na quarta-feira, apresentou bem essa proposta.

Além da feira de artesanato, a abertura contou com a performance Prezada Leitora, de Mariana Anselmo, a intervenção audiovisual VERJUNTAS e a mesa “Cultura, Memória e Protagonismo: A Arte de Ocupar, Criar e Reexistir”.


O VERJUNTAS é um cineclube formado por mulheres que atua em ocupações urbanas de Uberlândia, utilizando o audiovisual como ferramenta de escuta, encontro e visibilidade.


A conversa reuniu Leandra Du Art, Dríade Aguiar, Cleusa Bernardes, Madrinha Iara e Ana Claudia, com mediação de Maíra Aragão, aproximando questões de produção cultural, memória, identidade, criação artística e presença de mulheres nos espaços.


Existe algo importante nessa escolha de começar pela memória. Antes de discutir os futuros que queremos construir, também é preciso perguntar quem teve sua história preservada, quem conseguiu ocupar determinados espaços e quais narrativas foram autorizadas a permanecer.


No ELLA, cultura aparece justamente nesse lugar mais amplo. Não apenas como produto final, show ou obra, mas como uma maneira de disputar memória, circulação e possibilidade de existência.


Mudanças climáticas e futuros possíveis entram na conversa desta quinta-feira


Nesta quinta-feira, 17 de setembro, a programação desloca o olhar para o futuro, mas sem tratá-lo como abstração.


Às 16h, o Clímax MG promove uma roda de conversa dedicada à emergência climática, ao território e ao ecofeminismo. O projeto percorre diferentes regiões de Minas Gerais em 2026 para ouvir experiências locais e reunir perspectivas sobre como as mudanças climáticas atravessam o cotidiano, os recursos e as formas de organização de cada território.


Essa presença amplia bastante a leitura do encontro. Falar de futuro também significa perguntar quem sente primeiro os impactos de uma crise, quem participa das decisões e quais conhecimentos produzidos localmente são considerados quando se buscam respostas.


À noite, o eixo continua na mesa “Futuros em Construção: Voz, Representatividade e Novos Caminhos”. O debate reúne Mel Duarte, Iara Magalhães, Bárbara Lobo, Dríade Aguiar e Gláucia Matos, com mediação de Leandra Du Art.


A proposta desloca representatividade de uma discussão puramente simbólica. Estar presente importa, mas participar da construção dos caminhos, ocupar espaços de decisão e produzir as próprias narrativas também faz parte desse movimento.



Anísia e MC Soffia transformam a discussão em música


Quando as mesas terminam, a conversa não acaba. Ela apenas muda de linguagem.


Anísia sobe ao palco às 20h30 com o show Viva Rita. Na sequência, às 21h30, o encontro recebe MC Soffia, uma das principais atrações da etapa Sudeste. A programação musical da noite também conta com a discotecagem de Mari Cunha.


A rapper, MC Soffia, começou sua trajetória no hip-hop ainda criança e ganhou projeção nacional com Menina Pretinha, música que colocou racismo, autoestima e empoderamento feminino no centro de uma linguagem feita também para outras meninas se reconhecerem. Hoje, seu trabalho circula entre rap, trap e afrobeats, mantendo a identidade negra e o protagonismo feminino como elementos importantes da sua construção artística.


A presença de MC Soffia faz especialmente sentido dentro do ELLA porque música e discurso não precisam disputar espaço. O palco pode continuar aquilo que começou numa roda de conversa. A batida, a palavra, o corpo e a festa também produzem reflexão.


E essa talvez seja uma das escolhas mais interessantes da programação. A arte não entra como entretenimento depois de uma agenda “séria”. Ela faz parte da própria elaboração do encontro.


ELLA Sudeste chega a Uberaba dentro do Festival Sofá na Rua


Na sexta-feira, 18 de setembro, a programação atravessa a BR e chega a Uberaba, ocupando o Espaço Laboratório 96 em parceria com o Festival Sofá na Rua.


Essa aproximação não é casual. A própria organização apresenta a parceria como uma relação construída anteriormente e que ajuda o ELLA a se aproximar de circuitos culturais que já existem nos territórios, em vez de simplesmente aterrissar com uma programação pronta.


Um sofá colorido posicionado ao centro de um palco com bandeirolas e um telão branco ao fundo
No Triângulo Mineiro, o ELLA coloca experiências locais em diálogo com uma rede que percorre diferentes territórios do país | Foto: Divulgação/Floresta Ativista

A noite começa às 18h30, com oficina de grafite na área externa e abertura do encontro no espaço interno. Às 19h, a mesa “Mulheres na Produção Cultural” reúne Marcela Bueno, Letícia Rezende, Irlana Cassini, Polly Magalhães e Danielen Brandão, com mediação de Carol Freitas.


É uma discussão especialmente importante quando se fala em cena cultural. O público costuma conhecer quem aparece no palco, mas há toda uma estrutura anterior envolvendo produção, circulação, planejamento, recursos, acesso e trabalho. Perguntar quem ocupa esses lugares também é perguntar quem ajuda a decidir o que chega até nós.


Depois dos debates, a programação segue com atrações locais a partir das 22h, recebe novamente MC Soffia, às 23h, e termina com DJ Murah, da meia-noite às 3h.


Uma rede construída a partir de diferentes territórios


Os encontros regionais fazem parte de um processo mais longo. Desde 2014, a rede ELLA reúne mulheres de diferentes países e territórios com a proposta de fortalecer os feminismos por meio da cultura, da comunicação e da mobilização coletiva.


Em 2026, essa construção assume novamente a estrada como método. Em vez de partir diretamente para um grande encontro nacional, a rede percorre regiões, escuta contextos e produz conexões a partir de experiências locais. O que emerge desses encontros deve alimentar uma articulação nacional prevista para 2027.


Essa escolha diz muito sobre o próprio conceito do projeto. Rede não é apenas quantidade de pessoas conectadas. É relação. É saber de onde cada uma fala antes de tentar construir uma voz coletiva.


Para a HOP, que acompanha de perto a produção cultural de Uberlândia, existe ainda outra camada interessante. Cena também é isso. Não existe apenas quando a luz do palco acende. Ela depende de quem produz, comunica, articula, cria condições, ocupa espaços e insiste para que determinadas histórias possam continuar circulando.


Como acompanhar o Encontro ELLA Sudeste 2026


Nesta quinta-feira, 17 de setembro, o ELLA continua no Quintal – Gastronomia & Cultura, em Uberlândia, com programação a partir das 16h. Na sexta-feira, 18, o encontro segue para o Espaço Laboratório 96, em Uberaba, dentro da programação do Sofá na Rua.


Todas as atividades são gratuitas, com retirada de ingresso pelo Sympla e acesso sujeito à lotação dos espaços. Ainda há tempo para chegar. Pela conversa, pela música, pelo audiovisual, pelo grafite ou simplesmente pela vontade de ocupar um espaço em que diferentes experiências possam se encontrar.


A Hop Television segue acompanhando os movimentos que ajudam a construir a cultura no Triângulo Mineiro para além dos palcos mais óbvios. Siga a HOP para continuar perto das artistas, encontros e histórias que mostram que uma cena também cresce quando mais gente encontra espaço para falar, criar e permanecer.



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Texto por: Vithor Laureano | Jornalista e Redator Cultural


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