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Músicas que marcaram minha história com DJ Kaká

  • Foto do escritor: Miriam Fidelis
    Miriam Fidelis
  • há 21 horas
  • 4 min de leitura

A trajetória de Kaká revela uma DJ que forjou sua identidade sonora na periferia e nos bailes de SP. Sua curadoria, funde diáspora e afrofuturismo, é um ato político: ao misturar os ritmos que a formaram, ela reivindica a rua como berço de conhecimento e desafia estruturas que tentam engessar a arte periférica.


Natural da periferia da zona oeste de São Paulo, DJ Kaká aprendeu desde cedo que o mundo musical não é ditado só por ritmos, mas por vivências que marcaram sua vida. Em sua infância, houve uma diversidade sonora que esteve presente desde cultos religiosos às rádios FM. Foi na universidade que seu gosto refinado chamou atenção. Em uma festa de seu curso, com a necessidade de alguém para tocar, surpreendendo os convidados presentes e dando início a uma nova caminhada. 


Dj Kaká Rodrigues em set no Locday Uberlândia.
Kaká iniciou suas experimentações enquanto DJ em 2016 | Fotografia: Daniela Santos

No decorrer da sua trajetória, ela se conectou com coletivos de arte underground, conheceu A Torre Casa Cultural, tornou-se residente do espaço e então surge a DJ Kaká. Desde então, ela vem dando o nome em line-ups de vários eventos, conciliando a carreira de DJ com pesquisas em música, ciências, educação e questões climáticas, além de integrar movimentos como o Movimento Negro Unificado - MNU e Cerrado Sonoro, coletivo de reggae que busca levar o ritmo à periferia.


Ser mãe, negra e artista significa lidar com a falta de tempo e recursos para investir na carreira, fazendo-a atuar de várias formas para sobreviver e educar sua filha. “A música me salvou e continua salvando, move meu interior enquanto meus caminhos se abrem”. Selecta de origem, hoje ela brinca com novas formas de mixar, e valoriza quando contratantes confiam em seu repertório. DJ Kaká acredita que, em breve, conseguirá viver exclusivamente da arte.


Kaká divide seu tempo entre ser mãe, estudar e participar de coletivos | Imagens: Arquivo Pessoal/Waldyr Morais

"Minha curadoria musical é essa fusão que ultrapassa os limites de gêneros musicais, mas que representa grandes movimentos culturais e políticos globais, que nasceram da diáspora africana, reunindo ancestralidade e afrofuturismo."

CONHEÇA AS influências MUSICAIS E hits PRESENTES NA vida da DJ Kaká


Entre diversas vivências, a música sempre se fez presente na trajetória de Kaká, do Gospel ao Dance Hall. Confira nosso bate-papo exclusivo com a artista e descubra quais foram as músicas, os álbuns e as primeiras influências que marcaram a sua carreira.


A primeira música que eu me lembro de ter ouvido:

Boi da Cara Preta - Bob Zoom


"Além de outras canções de ninar de lei como: “Nana neném que a Cuca vem pegar” e a voz de minha mãe cantando os hinos da igreja e os brega da adolescência dela em Pernambuco." 


Músicas que me lembram da escola:

Ao Mestre com Carinho - Eliana


"Na pré-escola, "Ao mestre com carinho" marcou muito quando criança cantamos em homenagem ao dia das mães. Também lembro de ouvir Aquarela do Brasil, na primeira série, e de Clima de Rodeio, nos ensaios de festa junina que eu participava mas não podia dançar na festa porque era crente."


O gênero que me fez gostar de tocar:

"Muito Hip-Hop e Black 2000, influência das batalhas de RAP e das balada black que eu colava no centro de SP, principalmente a DISCOPÉDIA, com DJ Dandan, DJ Nyack e DJ Marco. Também colava nos sound system de quebrada, recebendo influências do Reggae e suas várias vertentes, das quais eu me identifiquei mais com o Dancehall, que tem o ritmo mais dançante."


A trilha sonora da minha vida seria:

Se Tu Lutas Tu Conquistas - SNJ



"É um clássico! SNJ chega incentivando a quebrada a não desistir de sonhar e lutar pra viver bem. É o RAP fazendo o papel de trazer boas perspectivas de vida até pro mais desacreditado".


A faixa que está associada a um momento crucial na minha trajetória

Outra mulher - AJULLIACOSTA



"E também, gosto muito de "Sonhos Gangsta" da Flora Matos. No movimento de “vai, fia! Correr atrás do que importa mais: investir em você mesma” 


O meu álbum favorito de todos os tempos: 

Sampa Midnight - Itamar Assumpção



"E também não posso deixar de citar toda a discografia de Milton Nascimento, verdadeira divindade da música preta brasileira e que dá orgulho de ser do Brasil."


Minhas primeiras influências musicais foram:

"O que tocava em casa, principalmente das rádio FM (MPB, Rock, sertanejo raiz) e dos CDs gospel que minha mãe tinha; o que o tio da van escolar ouvia no caminho (Pagode, POP, Black 2000, etc); e um CD de música clássica que encontraram no lixo de um condomínio e me deram de presente, que tinha Bach, Tchaikovsky, Mozart, Ravel..."


A música que eu mais gosto de tocar nos rolês:

BAM BAM - Sister Nancy



"Sister Nancy é a primeira mulher a estrelar no Dancehall na Jamaica, nascida nos anos 60 numa família conservadora, que esperava que ela fosse cantora gospel. Bam Bam é a música Reggae mais sampleada da história, nela Sister Nancy mostra que é a mais chavosa, uma mulher de negócios, uma em três milhões, e sempre que toco BAM BAM bate forte na pista."



A música não apenas marca épocas, mas também conta a trajetória de grandes talentos. A HOP celebra artistas que exploram o universo cultural de forma singular, como DJ Kaká, que desde criança busca explorar vários estilos musicais que agora contribuem na sua curadoria enquanto DJ.


Quais artistas com histórias inspiradoras você gostaria de ver aqui? Queremos conhecer os artistas que você acompanha! 👀



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Texto por: Miriam Fidelis | Redatora Cultural Hip Hop & Cientista

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