Da escola para os palcos: Como a Legius Band criou sua sonoridade própria em “Glass To Sand”
- Brunno Lifonso
- há 5 dias
- 4 min de leitura
Em uma entrevista exclusiva, os integrantes da Legius abrem o coração sobre as vivências que os impulsionaram na produção do primeiro álbum.
Imagina começar uma banda de rock aos 14 anos de idade junto aos amigos de infância e não conseguir colocar em prática o seu talento em cima dos palcos por serem novos demais. Bom, foi assim que a Legius Band, composto por Alexandre Sidnei (Vocal e Guitarra), Cléber Carlos (Bateria), Pedro Fernandes (Guitarra e Produção), Marcos Vinícius (Baixo) e Mykaell Max (Guitarra), deu início a sua trajetória no cenário, com uma pedra no sapato sem solução, boas referências musicais e faixas autorais prontas para conhecer o mundo pela primeira vez. O início realmente nunca é fácil, mas o futuro prometia um sucesso inesperado.

Lançado na metade de novembro, “Glass To Sand” é um álbum que tem como premissa a diversidade sonora, com faixas que mergulham em atmosferas diferentes, mas que dialogam entre si dentro de uma narrativa conceitual. Fugindo de rótulos clichês do mercado, a banda embarca em composições que mesclam gêneros divergentes, homenageando clássicos do rock, do melancólico, intimista ao metal progressivo, como é o caso da faixa single “Shiver For Me”. Tudo isso sem sair dos trilhos e apresentando uma sonoridade pouco explorada no cenário regional.
E a aposta na novidade deu mais do que certo. Desde o lançamento nas plataformas, a banda que começou tocando covers nos bares de Uberlândia, não parou um final de semana de se apresentar, engatando datas em casas de shows e até mesmo presença em Uberaba ao lado de referências como Ratos de Porão, no Festival da Farinha Podre.

“Agora depois de lançado, eu ouvi algumas pessoas falando que nos primeiros dois dias já tinham escutado várias vezes o álbum inteiro. É engraçado, confesso que me pegou de surpresa escutar isso, eu achei diferente o que as pessoas disseram [...].”, disse Cléber Carlos, baterista da Legius, sobre a recepção do público nos primeiros 15 dias.
Mas esse sucesso exigiu tempo de amadurecimento da banda, que passou longos anos compondo letras, rearranjando instrumentais, ensaiando faixas e aprendendo como de fato se lançarem no cenário autoral de forma correta, sem pressa e pressões externas. A título de curiosidade, o baterista compartilhou que levou cerca de 2 anos para aprender por inteiro a sequência de “Survivor’s Guilt”, segunda faixa do álbum.

Tendo como compositores principais, Pedro Fernandes e Alexandre Sidnei, a sinergia da dupla foi primordial para o resultado final, trabalhando juntos desde o conceito a tracklist presente em “Glass To Sand”.
“Algumas músicas são ‘frankensteins’ e outras como a primeira do álbum, “Newborn Sight”, foi uma música que o Pedro já trouxe totalmente pronta [...] E nessas eu chego e monto a letra [...] E diferente, também tem outras que a gente começava a gravar e as ideias iam surgindo durante o processo de produção delas. Então eu sinto que foi muito variável e a gente pôde experimentar diferentes tipos de composição.”, contou Alexandre, sobre o processo de composição das faixas em colaboração com Pedro.

A atmosfera misteriosa regida por guitarras distorcidas, batidas rápidas e um vocal grave, não se conecta apenas nos instrumentais como também nos visuais dos materiais promocionais divulgados ao longo dos últimos meses. Fotos com efeitos de tremulação, arquiteturas abandonadas e a capa com uma ampulheta quebrada, apresenta ao público um referencial com duplas funções: ampliar ainda mais o enigma do disco e narrar o ritmo frenético de cada faixa.
“Acho que tem meio que uma narrativa escondida ali por trás do álbum. Não só em termos de temática, porque existe uma história que tá no álbum que vai do nascimento até a morte…uma reviravolta. [...] Sinto que a música anterior sempre prepara para o que vem a seguir. Vejo que a experiência de ouvir o álbum é o que a gente tentou fazer…uma coisa bem fluida, ainda que o álbum tenha poucas músicas e com músicas extensas.”, contou Alexandre Sidnei.
Com 9 faixas inéditas e um clipe nas ruas, a Legius Band encarou um desafio comum no cenário — o lançamento de um projeto de rock autoral em pleno 2025, com foco inicial em Uberlândia, não é pra qualquer um — Mas a banda sabe muito bem disso e quais caminhos trilhar, compartilha o vocalista: “A gente tenta enxergar as coisas não como sonhos, mas como degraus”.

Para um futuro próximo, o grupo planeja soltar diversos projetos, como o disco ao vivo gravado no extinto bar Gato Preto, além da agenda em 2026 com novos shows para promover o primeiro álbum da banda. Segundo os integrantes em entrevista, a possibilidade de novas músicas ainda no próximo ano não são descartadas, sendo esse um desejo mútuo entre todos eles.
“Glass To Sand” tem todos os elementos base de um grande sucesso — identidade própria, faixas que geram conexões com o público — assim como a Legius Band possui em mãos a atitude dentro e fora dos palcos e a sua base de público fiel, capazes de abrir portas para o que nós pontuamos ser a próxima aposta no cenário do rock independente. Ouça o novo álbum hoje mesmo na sua plataforma de streaming favorita e comprove!
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Texto por: Brunno Lifonso | Redator e Diretor da Hop Television





