Entre a urgência e o íntimo: A estreia da Legius Band em “Shiver For Me”
- Vithor Laureano

- 19 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Primeiro single do grupo de Uberlândia mistura peso e melodia, videoclipe autoral e uma trajetória que parte da escola pública até os palcos da cena alternativa mineira.
Nos primeiros segundos de “Shiver For Me”, um sussurro puxa o fio da tensão, e logo depois tudo explode: guitarra cortando, vocal rasgado, a pancada da bateria e a dinâmica emocional que vai e volta em ondas. Não é uma estreia qualquer — é o primeiro single oficial da Legius Band, grupo de rock alternativo de Uberlândia (MG), que chega com som encorpado, videoclipe autoral e uma bagagem construída com paciência, amizade e resistência.

A história da banda começou ainda em 2017, entre aulas do ensino fundamental e tardes de ensaio em casa, quando Alexandre Sidnei (Voz e Guitarra base) e Pedro Fernandes (Guitarra solo) decidiram compor suas próprias músicas por não encontrarem espaço nos palcos da cidade. “Os bares não queriam deixar uns moleques de 13, 14 anos tocarem, então a gente foi escrevendo”, contou Alexandre em entrevista à Hop Television. Entre reveses, mudanças de cidade e pandemia, os anos passaram, mas a urgência de tocar se manteve — e o som amadureceu com o tempo.
A Legius se consolidou com a chegada de Cléber Carlos (Bateria), Marcos Vinícius (Baixo) e Mykaell Max (Terceira Guitarra), quase todos estudantes da UFU (Universidade Federal de Uberlândia). Juntos, passaram os últimos anos tocando em casas da cidade e da região, equilibrando estudos, trabalho e a vida noturna, juntando recursos para dar corpo à própria sonoridade. Uma vivência coletiva que ecoa nas camadas do som que agora lançam.

“Shiver For Me”, composta em 2020 e lançada em 2025, carrega essa trajetória. A faixa apresenta bem o que a Legius se propõe a ser: uma banda que caminha entre o rock alternativo, o metal progressivo e o peso. Do verso calmo ao refrão explosivo, da introspecção ao breakdown, o single evoca sentimentos que refletem a própria jornada do grupo. “A música parte de uma reflexão emotiva e se resolve num momento de introspecção”, resume Alexandre.
O clipe, dirigido pelo próprio vocalista em parceria com o diretor de fotografia JV Resende, não se contenta em ilustrar a música. É uma extensão dela, com cortes e planos pensados para criar uma atmosfera de urgência.
“Planejamos tudo com muita precisão, com o que tínhamos em mãos. Queria que cada plano tivesse motivação, que o impacto do clipe fosse sentido como parte do impacto da música.”
A faixa é o primeiro passo para o disco que está por vir — um álbum diverso, com canções que mergulham em atmosferas diferentes, mas que dialogam entre si dentro de uma narrativa conceitual.
“Cada música é diferente da outra, mas o álbum tem uma linearidade. E ainda assim, cada faixa pode ser ouvida separadamente.”
Fazer rock autoral em Uberlândia, como em boa parte do Brasil, é atravessar obstáculos. A cidade ainda carece de casas abertas ao gênero e o público segue, muitas vezes, voltado para bandas de covers ou nomes que já circulam há décadas. Mas a Legius aposta em uma contracorrente, dividindo palco, apoiando coletivos e construindo comunidade entre artistas.
“A gente gosta de compartilhar nossa plataforma, ainda que pequena. A ideia é somar.”

“Shiver For Me” é só o começo — e um começo corajoso. A Legius Band não está apenas estreando um single: está abrindo caminho para uma cena que pulsa, mesmo nas margens, mesmo sem holofotes. E isso, em tempos de dispersão e repetição, já é por si só um ato de resistência.
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Texto por: Vithor Laureano | Jornalista & Redator Cultural








